Voltar para o Blog
💼Carreira

De Gerente a Dev: Minha Jornada de Transição de Carreira aos 35 Anos

Como fiz a transição de gerente comercial para desenvolvedora full-stack aos 35 anos. Desafios reais, estratégias que funcionaram e resultados após 2 anos.

18 de abril de 2024
15 min de leitura
#carreira#transição#desenvolvimento

De Gerente a Dev: Minha Jornada de Transição de Carreira aos 35 Anos

Por Diana Camila Ribeiro Caldeira - 18 de abril de 2024

Jornada de Transição de Carreira

"Você está louca! Largar uma carreira consolidada para virar programadora aos 35 anos?"

Essa foi a reação da maioria das pessoas quando anunciei minha decisão de fazer transição para desenvolvimento. Hoje, dois anos depois, posso dizer com certeza: foi a melhor decisão profissional da minha vida.

Neste artigo, compartilho minha jornada completa de transição, os desafios reais que enfrentei, as estratégias que funcionaram e os insights que gostaria de ter tido no início. Se você está considerando uma mudança de carreira para tech, este relato pode te ajudar a tomar uma decisão mais informada.

O Ponto de Virada: Quando Soube que Precisava Mudar

Minha Situação em 2022:

  • 18 anos de carreira em marketing e gestão comercial
  • Gerente Comercial na Chilli Beans
  • Salário confortável e posição estável
  • Mas algo estava faltando...

O momento decisivo veio durante a pandemia. Enquanto gerenciava a transformação digital da equipe, percebi que estava sempre dependendo de terceiros para implementar minhas ideias tecnológicas. Eu tinha a visão estratégica, entendia as necessidades do negócio, mas não conseguia materializar as soluções sozinha.

A frustração cresceu quando percebi que:

  • Minhas melhores ideias ficavam "na gaveta" por limitações técnicas
  • Eu gastava mais tempo explicando para desenvolvedores do que eles implementando
  • O mercado estava claramente se movendo para soluções mais tecnológicas
  • Profissionais que combinavam visão de negócios com habilidades técnicas eram raros e valorizados

Por que Escolhi Desenvolvimento (E Não Outras Áreas de Tech)

Muitas pessoas me perguntam por que não escolhi Product Management, UX Design ou outras áreas que aproveitariam melhor minha experiência em negócios. A resposta é simples: eu queria autonomia completa.

Desenvolvimento me oferecia:

  • Capacidade de materializar ideias do zero ao produto final
  • Flexibilidade de trabalho (remoto, freelance, próprio negócio)
  • Mercado aquecido com demanda crescente
  • Possibilidade de empreender com baixo investimento inicial
  • Aprendizado constante (algo que sempre me motivou)

Minha Vantagem Competitiva:

Diferente de quem vem direto da faculdade, eu trazia:

  • 18 anos de experiência em entender dores reais de negócio
  • Habilidades de comunicação desenvolvidas em liderança
  • Visão estratégica para priorizar funcionalidades
  • Experiência em gestão de projetos e prazos
  • Network consolidado em diversas indústrias

A Estratégia: Como Planejei a Transição

Fase 1: Pesquisa e Validação (3 meses)

Conversei com 20+ desenvolvedores para entender:

  • Rotina real da profissão
  • Linguagens mais demandadas
  • Salários por nível de experiência
  • Desafios e frustrações comuns
  • Caminhos de carreira possíveis

Testei minha afinidade com programação:

  • Cursos gratuitos (Codecademy, freeCodeCamp)
  • Projetos simples em HTML/CSS
  • Lógica de programação básica
  • Resultado: Confirmei que gostava e tinha aptidão

Fase 2: Preparação Financeira (6 meses)

  • Reserva de emergência para 12 meses
  • Redução de gastos desnecessários
  • Planejamento de renda durante os estudos
  • Negociação com família sobre o período de transição

Fase 3: Educação Intensiva (12 meses)

Escolhi a Trybe após pesquisar várias opções porque:

  • Modelo de pagamento após conseguir emprego
  • Currículo completo (front-end, back-end, ciência da computação)
  • Metodologia ativa com projetos reais
  • Suporte de carreira e network de ex-alunos
  • Foco em empregabilidade real

Rotina de estudos:

  • 6h diárias de segunda a sexta
  • 4h nos fins de semana para projetos pessoais
  • Manhãs: Teoria e conceitos
  • Tardes: Prática e projetos
  • Noites: Revisão e exercícios

Os Desafios Reais (Que Ninguém Conta)

1. Síndrome do Impostor Amplificada

Aos 35 anos, estudar junto com pessoas de 20-25 anos foi um choque inicial. Eles pareciam absorver conceitos mais rapidamente, tinham mais tempo para estudar e menos responsabilidades.

Como superei:

  • Focei nas minhas vantagens (experiência, disciplina, visão de negócio)
  • Criei grupos de estudo com pessoas da minha faixa etária
  • Lembrei constantemente do meu "porquê"

2. Pressão Financeira e Familiar

Sair de um salário estável para "começar do zero" gerou ansiedade e pressão externa constante.

Estratégias que funcionaram:

  • Comunicação transparente com a família sobre o plano
  • Marcos de progresso visíveis para mostrar evolução
  • Projetos freelance pequenos para gerar renda durante os estudos
  • Mentalidade de investimento (não gasto, mas investimento no futuro)

3. Velocidade de Aprendizado

Reconhecer que eu precisaria de mais tempo que alguém de 20 anos para absorver conceitos técnicos foi difícil, mas necessário.

Adaptações:

  • Mais repetição e prática de conceitos básicos
  • Anotações detalhadas e mapas mentais
  • Projetos práticos para fixar cada conceito
  • Paciência comigo mesma e celebração de pequenas vitórias

O Que Funcionou: Estratégias de Sucesso

1. Aproveitar a Experiência Anterior

Em vez de ver minha experiência como "irrelevante", a transformei em diferencial:

Projetos com contexto real:

  • Sistema de gestão para pequenos negócios
  • Landing pages para campanhas de marketing
  • Automações para processos que eu conhecia

Comunicação eficaz:

  • Explicar conceitos técnicos para não-técnicos
  • Entender requisitos de negócio rapidamente
  • Fazer perguntas certas para stakeholders

2. Network Estratégico

Participei ativamente de:

  • Meetups de tecnologia locais
  • Grupos no LinkedIn e Discord
  • Eventos de networking tech
  • Comunidades online (Dev.to, GitHub)

Resultado: Consegui meu primeiro emprego através de indicação de alguém que conheci em um meetup.

3. Portfólio Diferenciado

Em vez de fazer os projetos "padrão" (todo-list, calculadora), criei projetos que mostravam minha experiência:

Projeto 1: Sistema de CRM simples para pequenas empresas Projeto 2: Dashboard de métricas de vendas Projeto 3: Landing page otimizada para conversão

Cada projeto demonstrava não apenas habilidades técnicas, mas compreensão de problemas reais de negócio.

4. Especialização Estratégica

Escolhi me especializar em desenvolvimento para área da saúde porque:

  • Combina com minha experiência em atendimento ao cliente
  • Mercado em crescimento e com boas margens
  • Menos concorrência que desenvolvimento genérico
  • Possibilidade de criar impacto social real

A Primeira Oportunidade: Como Consegui

O Processo:

Mês 10 de estudos: Comecei a aplicar para vagas júnior Mês 11: Primeira entrevista (não passou, mas foi ótimo aprendizado) Mês 12: Três processos simultâneos Mês 13: Primeira proposta aceita

O que Fez a Diferença:

  • Portfólio focado em problemas reais
  • Comunicação clara sobre minha transição e motivações
  • Demonstração de soft skills desenvolvidas na carreira anterior
  • Projetos que mostravam capacidade de entregar valor rapidamente

A Proposta:

  • Salário: 70% do que ganhava como gerente
  • Modalidade: Remoto
  • Empresa: Startup de healthtech
  • Posição: Desenvolvedora Full-Stack Júnior

Por que aceitei: Perfeito alinhamento com minha especialização escolhida e oportunidade de crescimento rápido.

Dois Anos Depois: O Resultado

Evolução Profissional:

  • Ano 1: Desenvolvedora Júnior → Plena
  • Ano 2: Freelancer especializada + Consultoria
  • Hoje: Próprio negócio focado em soluções para área da saúde

Evolução Financeira:

  • Mês 6: Salário igual ao anterior
  • Ano 1: 40% acima do salário de gerente
  • Ano 2: 120% acima (combinando CLT + freelances)
  • Hoje: 200% acima (negócio próprio)

Qualidade de Vida:

  • Trabalho remoto 100% do tempo
  • Flexibilidade de horários
  • Projetos alinhados com meus valores
  • Aprendizado constante e desafios estimulantes
  • Autonomia para implementar minhas ideias

Lições Aprendidas: O que Faria Diferente

1. Começaria a Estudar Antes

Teria começado a aprender programação como hobby antes de tomar a decisão de transição. Isso reduziria o tempo total de preparação.

2. Network Desde o Início

Participaria de eventos e comunidades tech desde os primeiros meses de estudo, não apenas quando começasse a procurar emprego.

3. Projetos Freelance Mais Cedo

Começaria a fazer pequenos projetos freelance após 6 meses de estudo, para ganhar experiência real e gerar renda.

4. Especialização Mais Rápida

Definiria minha especialização (área da saúde) desde o início, direcionando todos os projetos e estudos para esse nicho.

Conselhos para Quem Está Considerando a Transição

Antes de Decidir:

Faça um teste real: Dedique 2-3 meses estudando programação nas horas vagas. Se não conseguir manter consistência, reconsidere.

Converse com profissionais: Não apenas desenvolvedores júnior, mas também seniores e pessoas que fizeram transição similar.

Avalie suas motivações: Se for apenas pelo salário, pode não ser suficiente para superar os desafios.

Durante a Transição:

Mantenha a disciplina: Trate os estudos como um trabalho. Horários fixos e metas claras.

Construa em público: Compartilhe seu progresso nas redes sociais. Isso cria accountability e networking.

Seja paciente consigo mesmo: Você não precisa ser o mais rápido, precisa ser consistente.

Na Busca por Oportunidades:

Destaque suas soft skills: Sua experiência anterior é um diferencial, não um obstáculo.

Seja transparente: Conte sua história de transição com orgulho, não como desculpa.

Foque em empresas que valorizam diversidade: Startups e empresas em crescimento geralmente são mais abertas a perfis não-tradicionais.

O Mercado para Transicionistas 35+

Realidades Positivas:

  • Demanda alta por desenvolvedores em todas as idades
  • Soft skills valorizadas: Comunicação, liderança, gestão de projetos
  • Experiência de vida: Capacidade de entender problemas complexos de negócio
  • Estabilidade: Menos rotatividade que profissionais muito jovens

Desafios Reais:

  • Preconceito etário em algumas empresas (principalmente startups muito jovens)
  • Competição com pessoas com mais tempo disponível para estudar
  • Pressão financeira durante a transição
  • Necessidade de provar competência técnica constantemente

Nichos Favoráveis:

  • Fintechs (valorizam experiência em negócios)
  • Healthtechs (experiência em atendimento é valiosa)
  • Edtechs (experiência educacional é diferencial)
  • Consultoria (soft skills são essenciais)

Reflexões Finais: Valeu a Pena?

Absolutamente sim. Mas não foi fácil e não é para todo mundo.

A transição de carreira aos 35+ exige:

  • Clareza sobre motivações (não pode ser apenas modismo)
  • Preparação financeira sólida
  • Apoio familiar e pessoal
  • Disciplina e consistência extremas
  • Paciência com o processo de aprendizado
  • Resiliência para lidar com rejeições e frustrações

O que mais me surpreendeu positivamente:

  • A comunidade tech é mais acolhedora do que imaginava
  • Aprender a programar reativou uma paixão por resolver problemas que eu havia perdido
  • A flexibilidade da carreira superou minhas expectativas
  • Combinar experiência de negócios com habilidades técnicas me tornou única no mercado

O que foi mais difícil:

  • Síndrome do impostor foi mais intensa do que esperava
  • Velocidade de mudança na tecnologia exige aprendizado constante
  • Pressão para "provar valor" foi maior nos primeiros meses

Para Quem Está na Dúvida

Se você chegou até aqui, provavelmente está considerando uma transição similar. Meu conselho final:

Não deixe a idade ser um limitador. Sua experiência é um ativo, não um passivo. O mercado tech precisa de pessoas que entendem problemas reais de negócio e sabem se comunicar efetivamente.

Mas seja realista sobre os desafios. A transição não é um "get rich quick scheme". Exige dedicação, sacrifícios e muito trabalho duro.

Se você tem clareza sobre seus motivos, preparação adequada e determinação para superar os obstáculos, pode ser a melhor decisão da sua vida profissional.


Quer Conversar Sobre Sua Transição?

Se você está considerando uma mudança de carreira para tech ou já está no processo, adoraria conversar sobre sua situação específica. Como alguém que passou por isso recentemente, posso oferecer insights práticos e realistas.

Ofereço uma conversa gratuita de 30 minutos para discutir sua situação e compartilhar estratégias específicas para seu perfil.

Agendar Conversa Gratuita →


Diana Camila Ribeiro Caldeira fez transição de carreira aos 35 anos, saindo de gerente comercial para desenvolvedora Full-Stack. Hoje, combina 18 anos de experiência em negócios com expertise técnica para criar soluções digitais inovadoras, especialmente para área da saúde.

DC

Diana Camila Ribeiro Caldeira

Desenvolvedora Full-Stack & Estrategista Digital especializada em soluções para área da saúde. Combina 18 anos de experiência em estratégia de negócios com expertise técnica moderna.